quinta-feira, 5 de maio de 2011

Medea - Pier Paolo Pasolini


Idade Média e a Sexualidade (pequena nota com aritemética)

 Os interditos litúrgicos
–        O domingo e a sua véspera
–        As 4ªs e 6ªs feiras
–        As 3 Quaresmas:
§  Quaresma propriamente dita
§  Advento
§  Quaresma do Pentecostes
–        As festas de santos e outras solenidades
Total: cerca de 130 dias por ano

Os tabus do sangue e da maternidade:
–        a impureza da mulher menstruada
–        a impureza da grávida
Total: de 36 a 240 dias por ano

Resultados: 4 a 5 relações sexuais por mês, gerando 2 a 3 concepções nos quatro anos considerados.

Pouco fungaga da bicharada, pelo menos dentro da regras!

Ana Maria Rodrigues, “Sexualidade na Idade Média: O «Fruto Permitido» e o «Fruto Proibido», Lição 7 do I Curso Livre - Sexualidade e História, Centro de História da Universidade de Lisboa.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vataça Lascaris - O túmulo de uma princesa Bizantina em Portugal


Segundo Rosa Pomar, o túmulo de Dona Vataça é único pois nele escolhe-se “como decoração única da sua arca as armas imperiais que herdara por via materna”, fenómeno contrário aos outros casos de rainhas, infantas e fidalgas que a autora analisou entre 1250 e 1350, nos quais era escolhido “como forma de identificação pessoal as armas do pai ou do marido”(1). A escolha de Dona Vataça é facilmente explicável pela maior nobreza da linhagem de sua mãe em comparação com a de seu pai.

(1) Rosa Pomar - MEMÓRIA TUMULAR DE RAINHAS, INFANTAS e fidalgas em portugal (1250-1350), p. 13

 
António Coelho Gasco et Antonio de Abreu,  Conquista, Antiguidade, e Nobreza da Mui Insigne, e Inclita Cidade de Coimbra, Lisboa,  Impressão Régia, 1805, p. 144.




segunda-feira, 2 de maio de 2011

Hey hey I saved the world today ...



... Everybody´s happy now, The bad things gone away, And everybody´s happy now, The good things here to stay, Please let it stay ...

Bem, eu já vi as fotos dele morto e acho que a sua morte não altera nada, a ideia idiota que a condensação de todo o mal, e do ódio de muitos pelos Estados Unidos, numa só pessoa e que a sua consequente eliminação levará a uma nova era de prosperidade, ou pelo menos de maior segurança, na América é risível.
A Geo-Política mundial alterou-se com o fim da União Soviética (e continua em constante evolução para quem não repara em nada além do que Coelho e Socas dizem), mas ninguém se apercebeu até ao 11 de Setembro, e agora a morte de Bin Laden é capaz de refundar um movimento anti-américa, com ele na figura de martir (ao menos Khadafi já não pode culpar o Osama de instigar mais a revolta na Líbia).

Quem semeia ventos, colhe tempestades.

P.S. Agora não desperdices um bom argumento de campanha eleitoral OBAMA!

"Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado"

 Antígona (1961) com Irene Papas, baseado na tragédia de Sófocles.

domingo, 1 de maio de 2011

Um Casamento Real ... Medieval


A muito tempo atrás quando haviam princesas, príncipes e talvez dragões, quando o reino de Portugal tinha um irmão chamado Algarve (coisa pomposa de se dizer e escrever pois nunca foi de facto reino algum, talvez fosse mais uma espécie de despensa, um anexo, um PEV para um PCP), e reinava um bastardo (que para todos efeitos era como não fosse pois ganhou o trono) chamado D. João I, mais conhecido como Mestre de Avis (AH! é verdade, com este refundador o titulo do rei para a ser Rei de Portugal e do Algarve e senhor de “Cepta” – um enclave, o que acaba por ser mais do que anexo). Este senhor depois de um inicio de reinado de, como dizer … já sei  “Bolas, não acredito consegui ser rei!”, e de legitimar o seu poder com a conquista de Ceuta, decide reformar-se. Sim, reformar-se, quem acaba por levar com a pastilha toda é o pobre do D. Duarte (tadinho :( ), que sendo príncipe não o deixavam descansar, tava a almoçar vinham despachos, queria ir a caça vinham despachos, queria dormir la siesta e despachos vinham (primeiro português com uma depressão). Em suma, quem reina, de mandar, governar o país passa a ser o “Eloquente” até a morte do pai, ou seja de 1415 a 1433, tendo depois reinado apenas 5 anos.

O nosso Eduardo não é vampiro mas foi muito soturno (lame !!!!!!!!!!!!!), e casa tarde (37) com D. Isabel, uma aragonesa (princesa? Dragona?), quer dizer ela era tão aragonesa como eu sou traficante de droga colombiano (don´t Google mykitata and Ramon Ortega), isto porque ela era filha de Fernando de Antequera, rei de Aragão escolhido num processo sucessório que levantou muitas dúvidas. 

Mas de donde provém essa criatura? Este senhor era filho de Juan I, o tal que perdeu Aljubarrota, era filho segundo e passa com a morte de seu irmão Henrique III a reger o reino, em conjunto com a mãe do novo rei, que ainda é criança. Nesta nova posição conquista terras aos mouros manda currículo a Aragão e consegue ser escolhido depois de três entrevistas, reina pouco tempo, reino passa pró filho mais velho e de repente a sua numerosa descendência, que também é rica em ambos os lados da fronteira (Castela e Aragão), torna-se uma ameaça na Península Ibérica. Portugal ainda tem um dói dói da guerra contra Castela e faz panelinha com Aragão, e então a moça de 28 anos, irmã de Afonso V de Aragão, vem casar a Portugal.

A principio o casamento estava marcado para Évora, mas teve de ser mudado para Coimbra a pretexto da peste, e mais D. João I não foi ao casamento, D. Duarte ficou magoado (a maioria das pessoas nunca irá perceber a sensibilidade e obsessão do planeamento do infante, muitos hoje em dia chamar-lhe-iam anal retentivo) e a pompa e circunstância para impressionar todos os emissários estrangeiros não foi tão espetacular. 

[1]Uma carta do Infante Dom Henrique descreve o casamento, sabemos então que o local do matrimónio foi o mosteiro de Santa Clara, o qual foi preenchido por panos brocados carmesim, com a construção de uma galeria da entrada até ao coro (onde “repousava” a rainha Santa Isabel), por onde passaria a noiva, preenchido com panos de arras de cor azul e o chão atapetado. A princesa ficaria na sala do cabido, enquanto o príncipe viria para o mosteiro num pequeno cavalo, com uma rica capa presa por uma esmeralda, rodeado pelos seus irmãos, os infantes, e seguindo por fidalgos bem apetrechados em termos modisticos. Chegando ao edifício, juntam-se os noivos (cada um é levado por dois infantes da casa real portuguesa) no coro e fez-se as bênçãos; D. Fernando, Conde Arraiolos, e a sua mulher a ocupam a dignidade de padrinhos, a missa é rezada e não cantada, sendo que o prato (ou cesta … sei lá!?) do ofertório rendeu duzentas dobras (não sei quanto é na altura ou hoje em dia mas pelo que eu li deu a entender pelas autoras que era muito). O casamento foi uma coisa abafada pelos vistos, muita gente, tochas acesas, cansaço, indumentária pesada e uma noiva que desmaiou, mas lá lhe salpicaram água e Leonor acordou. A noite houve festança, a princesa deslocou-se para o local (não perguntem qual que eu não sei) do jantar num pequeno e manso cavalo branco, com possíveis oferendas do agora marido (isto com um complemento adicional de esta deslocação ser nocturna e a princesas e as damas que a acompanhavam estarem ladeadas escudeiros com sessenta tocas). E tudo acabou bem, graças a Deus.
Desculpem a falta de originalidade na pesquisa, uma única fonte, e o facto de não ter dado ao trabalho de fugir muito a discrição presente no texto no qual me baseei.


[1] A partir da aqui é tudo Margarida Garcez Ventura e Julieta Araújo, D.Leonor de Aragão - A Triste Rainha, Vila do Conde, QUIDNOVI, 2011, pp.18-20.

Augustus (Parte III)


O Caminho para Bouvines e Paz de Lambeth

Para compreender os acontecimentos que antecedem Bouvines é necessário compreender a relação do espaço francês com o Império Sacro Romano-Germânico. Em 1197 morre Henrique VI, filho de Frederico Barbaruiva, havendo dois candidatos a coroa imperial: Otão de Brunswick, protegido do Papa e do seu tio João I de Inglaterra, e Filipe da Suábia, irmão de Henrique VI, apoiado por Filipe Augusto. Otão acabou, depois da morte do seu rival, por se tornar Imperador em 1209, sendo excomungando e deposto pelo Papa no ano seguinte. Filipe II com a morte do seu partidário, tornasse aliado de Frederico II da Germânia, rei da Sicília e filho de Henrique VI.

Entretanto, João I de Inglaterra decide imiscuir-se na nomeação do Arcebispo da Cantuária, recusando o candidato papal, o que resulta no interdito ao reino em 1208 e na excomunhão do monarca pelo Sumo Pontífice em 1209. Esta situação agudizou-se com o confisco dos bens eclesiásticos, decretada por João I, e com a revolta dos nobres. Num ambiente de guerra civil, com a coroa do seu reino a ser oferecida a Filipe Augusto pelo papa, o rei inglês opta por, em 1213, submeter-se ao papa e enfeuda os seus reinos à Santa Sé, pagando tributo de vassalagem.

Pouco depois as hostilidades entre os dois reinos recomeçaram, com João aliado ao Conde de Borgonha e ao Imperador excomungando Otão IV contra Filipe II.
Durante o início do conflito o papa Inocêncio III apoiou João I da Inglaterra. A França sofreu uma importante derrota marítima em Damme, e os condados da Bolonha e da Flandres, que oscilavam nas lealdades entre Filipe II e João I, foram fustigadas pelo rei francês e o príncipe Luís.
No início de 1214 João I lança um ataque a partir da Aquitânia esperando conseguir vantagem militar frente as forças francesas, concentradas na Flandres. Luís, herdeiro de Filipe II, é encarregado pelo pai para liderar as forças que combatem João e os senhores feudais seus aliados, levando à fuga destes de França em Julho.
A coligação oposta à França teve a sua derrota definitiva num domingo a vinte e sete de Junho de 1214, em Bouvines. Nela o Imperador deposto foi obrigado a fugir, resultando também a captura de importantes nobres da coligação, como Reinaldo de Dammartin e Fernando de Portugal.
Como consequência desta derrota, em Chinon, Filipe II e João I, com intervenção papal, estabeleceram uma paz de cinco anos e João cedeu os territórios de Berry, Touraine, Maine e Anjou, pagando uma indemnização de guerra de sessenta mil libras.

Filipe Augusto, argumentando que João Sem Terra tinha traído o seu irmão Ricardo, morto o seu sobrinho Artur I da Bretanha, e invocando a ligação familiar de Branca de Castela ao monarca inglês conduz o seu filho, o futuro Luís VIII, numa campanha militar deste modo legitimada contra Inglaterra.

Alguns nobres ingleses começaram a rebelar-se com a má administração do rei[1], mas João manteve o apoio papal. Em 1215, a quinze de Junho, em Londres, João aceita a Magna Carta, documento imposto pelos nobres[2]. Entre 1215-1217 Inglaterra vive uma guerra civil, que termina com a morte de João I e a coroação do seu filho, ainda menor, Henrique III. Em 1217, a já a muito planeada invasão francesa realiza-se, terminado em desgraça com a batalha de Lincoln às mãos do regente inglês, Guilherme, O Marechal. Na Paz de Lambeth, entretanto celebrada, Luís de França renúncia as suas pretensões ao trono inglês e são reconhecidas as perdas territoriais inglesas no continente.

A Cruzada Albigense

Entre os anos de 1209 e 1229 decorreu uma importante acção repressiva à heresia catarista: a cruzada albigense.
O catarismo, que se desenvolveu no Languedoc, em França, numa área de grande tendência autónoma, era um movimento herético, místico, de origem oriental, trazido pelos participantes da segunda cruzada, que apelava ao regresso da pureza do evangelho primitivo, repudiando a violência e negado a propriedade privada.
A excomunhão do Conde de Toulouse Raimundo VI em 1207, que se apoiava nos cátaros para manter a sua autonomia, e o assassínio do legado papal no Languedoc, levou Inocêncio III a apelar à intervenção das autoridades laicas na perseguição a estes hereges, dando origem a esta cruzada em 1209. Com o retratamento de Raimundo ao poder papal, este junta-se ao exército cruzado na submissão de outros nobres locais.

O primeiro episódio desta sangrenta e duradoira luta foi protagonizado por Arnaud Amalric liderando os cruzados na chacina da população da cidade de Beziers. A chefia dos cruzados foi depois assumida por Simão de Monfort[3], conseguido este a muito custo submeter a cidade mais importante da região, Toulouse.
Várias revoltas emergiram ao longo dos tempos, apoiando o deposto Conde Raimundo, até que Amaury VI de Monforte, filho de Simão e novo Conde de Toulouse, requereu ao seu rei e senhor o apoio na subjugação dos cátaros. Em resposta, Filipe Augusto desejando demonstrar interesse na cruzada, envia o seu herdeiro, que conduz a terceira expedição cruzia à região, em 1219.
O conflito é finalizado com a morte prematura de Luís VIII e com os tratados de Paris em 1229.

A acção de Filipe II não resolveu os problemas causadas por esta heresia, continuando a haver tensões religiosas nesta área nos reinados subsequentes[4]. 

O Poder Central

A administração central no reinado de Filipe II tornou-se mais eficiente, ajudando a gerir os muitos e novos territórios sob controlo directo do monarca como também outras áreas distantes do reino que estava sobre a sua influência. Exemplos dessa eficiência administrativa são: a criação de assembleias locais; uma política de fortificações e de castelos (como é o caso de Paris); a introdução de uma nova estrutura administrativa, que permitiu o exercício directo do poder sobre o território[5], originada na ocasião da sua partida para a Terceira Cruzada por uma ordenação-testamento de 1190.
Nesta nova estrutura administrativa destacava-se a criação dos bailios[6], oficiais de nomeação régia, oriundos da classe média, que percorriam os domínios reais sob solicitação para administrar a justiça[7] e também para iniciar uma contabilidade do reino. Não exercendo propriamente poder mas representando o rei, estes funcionários eram pagos directamente pelo soberano e submetidos a um forte controlo, com a obrigação de prestarem contas três vezes por ano. Os bailios eram ainda assistidos por prebostes, que julgavam os assuntos correntes e as contas locais.

Outro sinal indicativo da emergência de um estado central forte é o desenvolvimento da ideologia real. O uso da flor-de-lis como símbolo real, os funerais solenes dos monarcas, a unção régia, a homenagem feudal, a continuação da prática dos casamentos com princesas de origem carolíngia, a encomenda de um poema épico (a Filipíada de Guilherme o Bretão), o uso crescente do termo Francia nos textos e sobretudo da fórmula rex Francia em decretos a partir de 1204[8]. De salientar, também, a importância ideológica e de consciência nacional que emana da bula Per Venerabilem, de Inocêncio III, na qual se afirma que Filipe II é autoridade temporal máxima na França e no direito feudal[9].

Das várias medidas inovadoras tomadas pelo rei destacam-se ainda: a criação da Universidade de Paris, em 1200[10]; medidas protectoras do comércio, benéficas para as feiras de Champagne; a valorização da urbanização, das cidades e dos seus grupos sociais, nomeadamente a burguesia, da qual provinham os legistas, os letrados e os principais financiadores do rei.



[1] Como no caso da quarentena de rei, lei que proíbia o conflito entre indivíduos e grupos até quarenta dias após a ofensa (exceptuando no caso de um dos envolvidos ser o próprio rei ou um seu descendente), facto que dava tempo para apelar à autoridade real.
[2] Inspirados nas reformas administrativas de Henrique II da Inglaterra, postas em prática em 1176.
[3] Funcionando principalmente como justiça de apelação, o que representa a recuperação de uma das componentes mais importantes do poder régio.
[4] No entanto, só Luís IX de França alteraria o título oficial de rex Francorum (rei dos Francos) para rex Franciæ (rei de França).
[5] É inclusivo empregue a expressão “é Imperador de seu reino”.
[6] Por decreto real, facto que permitiu que esta instituição subtrair-se da jurisdição eclesiástica, possibilitando assim o seu desenvolvimento rápido.
[7] O rei, que é o garante da religião, da ordem e do status social no reino, não estava neste caso a cumprir as suas obrigações.
[8] Este é o documento que transforma a monarquia inglesa num regime no qual o rei tem menos poderes e passa a ser controlado por uma assembleia composta por vinte cinco nobres.
[9] Este é o nobre francês que matou em batalha o rei de Aragão, Pedro II, que aliado a Raimundo VI pretendia evitar o controlo directo da coroa francesa desta região e o consequente estabelecimento de um poder forte na fronteira norte do seu reino.
[10] A intervenção do monarca francês teve como único interesse subjugar o Conde, colocando o Languedoc sobre influência real.

I lied too



Ellen: Actually, I take that back. You should be scared. You should be terrified.
Patty: Ellen dont. Its not who you are.
Ellen: Youre right. You know me too well. I would never use this. Its not even loaded. So its just the two of us face to face. It seems like youre not going to tell me the truth after all. Well thats okay. I lied too.

Engrish 3


Houseisms

 "No, you talk to God, you're religious. God talks to you, you're psychotic."