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terça-feira, 1 de junho de 2010

Packs Temáticos Parte V - Punk - "REBEL AGAINST CONFORMITY!"


Dead Kennedys Frankenchrist [1985] "MTV Get Off The Air"
Sex Pistols Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols [1977] "Pretty Vacant"
The Misfits Beware EP [1980] "Last Caress"
Rancid ...And Out Come The Wolves [1995] "Time Bomb"
Censurados Censurados [1990] "Tu Ó Bófia"
Peste & Sida Veneno [1987] "Carraspana"
 
NOFX The War on Errorism (2003) "The Idiots are Taking Over"
The Clash London Calling [1979] "Guns of Brixton"

domingo, 2 de maio de 2010

There's always room for Jell-O


Explicando agora, depois de um promessa anteriormente feita, a imagem do primeiro post. Atão, é assim, não é preciso saber decore a história dos Dead Kennedys para compreender o que vou escrever. Tal como os Sex Pistols vão ficar internamente associados ao movimento punk e a estúpida ideia que eram um criação do seu agente, que é um piada por muitos incompreendida transmitida no filme The Great Rock 'n' Roll Swindle, de 1980, o Kennedys vão estar ligados a vários actos que desafiaram as autoridades e a perseguição e tentativa de destruição da memoria colectiva destes (não é teoria da conspiração, é verídico).
Um dos exemplos de um das primeiras brincadeiras da banda foi a sua actuação nos Bay Area Music Awards. Pois, estavam lá todos os grandes da indústria musical do estado da Califórnia e eles eram suposto tocar o California Über Alles, representando esta cerimónia a abertura da indústria a vertentes musicais mais undeground das quais os Kennedys eram representantes. Então esta banda, que tem já um nome desafiante e ficou celebrizada por atacar políticos e suas políticas, os abusos de poder e comportamentos sociais estereotipados, decide fazer um ataque à comercialidade musical onde todas as palavras estão a marinar numa margarina jocosa. Poucos segundos após começarem a tocar o tema California, Biafra interrompe e diz "Hold it! We've gotta prove that we're adults now. We're not a punk rock band, we're a new wave band". E a partir dai é o descalabro, canta-se Pull My Strings (apenas interpretado uma vez na carreira da banda) e nunca mais os Kennedys foram convidados para algo parecido, o que não espanta pelo acto e pelas características deste projecto musical, que para quem não muito sobre eles nunca teve intenções de atingir patamares comerciais elevados (MTV Get Off The Air é o nome de uma das mais conhecidas canções), mantendo sempre credibilidade entre as ideias e as acções.

Mais histórias e uma pequena biografia dos Dead Kennedys e de Jello Biafra serão “postadas” em conjunto com as criticas a Frankechrist (Dead Kennedys 1985), Never Breathe What You Can't See e Sieg Howdy! (ambos de Jello Biafra com os Melvins, 2004 e 2005 respectivamente). Agora deixo-vos com a letra de Pull, que optei por não explicar porque mais claro do que é dito é quase impossível

"Pull My Strings"

I'm tired of self respect
I can't afford a car
I wanna be a prefab superstar

I wanna be a tool
Don't need no soul
Wanna make big money
Playing rock and roll

I'll make my music boring
I'll play my music slow
I ain't no artist, I'm a business man
No ideas of my own

I won't offend
Or rock the boat
Just sex and drugs
And rock and roll

Drool, drool, drool, drool, drool, drool
My Payola!
Drool, drool, drool, drool, drool, drool
My Payola!

You'll pay ten bucks to see me
On a fifteen foot high stage
Fatass bouncers kick the shit
Out of kids who try to dance

If my friends say
I've lost my guts
I'll laugh and say
That's rock and roll

But there's just one problem

[Chorus]
Is my cock big enough
Is my brain small enough
For you to make me a star
Give me a toot, I'll sell you my soul
Pull my strings and I'll go far

And when I'm rich
And meet Bob Hope
We'll shoot some golf
And shoot some dope

Is my cock big enough?
Is my brain small enough?
[Repeat chorus, etc. etc.]

Como a minha tendência é de

Como a minha tendência é de consumir LPs já com uma certa idade (dez anos para cima), uns mais avinagrados, outros mais carregados de um doce aroma à Porto, fiquei a reflectir sobre o interesse em escrever para um blogue todo moderno como este (reparem que para o design, concepção e realização da ideia eu apenas contribui com um inaudível “Sim” acompanhado pelo seu primo afastado, e epiléptico, que desilude qualquer um com a sua incapacidade discursiva “pois...é uma boa ideia”), e depois cheguei lá na minha mente “Há cacas ai, algumas ai Jesus, outras maiores malhas que eu sei lá o quê (sempre importante salientar o sei lá o quê), que merecem ser relembradas ou abordadas de novo com outros ouvidos e olhos (pois meus amigos é que aqui o Bean já comprou Lps e cds só pela capa, quando se tem dinheiro funciona, caso contrário apanha-se cada desilusão às vezes…eu sei que é estúpido mas eu gosto de experimentar coisas às cegas). E, prontos, complemento o avant-garde do outro gaijo com o meu atraso temporal (veja-se que só este ano é que comprei o último álbum da Fiona Apple, I am a shameful naughty boy).

O.K., depois de uma intro, que cheira mal, vem o primeiro prato, o ano é 1980, a banda são os “fabulosos” Dead Kennedys, o álbum é o seu primeiro, Fresh Fruit for Rotting Vegetables.



E a história começa assim, mal gravado, sem condições monetárias e materiais, gravado com poucos overdubs vocais, quase ao vivo, uma tanga de gravação para quem tá, como eu, mal habituado a ouvir rock-art, rock progressivo (ODEIO LABELS!!! Um dia vou explicar porque é que nunca houve algo chamado Grunge, mas deixo isso no ar por agora, sem receio de levar um bélinha de algum fã mais obcecado de Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Melvins ou Dinossaur Jr.), algo com uma qualidade sonora e detalhe auditivo que não pode ser entregue ao consumir deste modo “afiambrado”. É esta barata esmagada mas que ainda corre que tem piada, a verdade é que o bicho abre as portas para uma atitude de critica política no punk dos EUA diferente, quase que nasce aqui o hardcore (entenda-se punk hardcore) americano (acho que a mãe deste “movimento” são os Reagen Youth). Já agora, vejam a linda capa foto tirada a carros da polícia a arder, resultado de um motim que não vale aqui a pena explicar. É forte a imagem, carregada de indignação que corrói toda a obra (e a contra capa não desdenha, seja a versão original da banda de lounge com olhar patético ou a foto das velhinhas). Pois, há indignação, mas com humor, não é só um sujeito que fala (sim Biafra não canta, fala alto) X verdades sobre o “sistema” (coisa maravilhosa que prejudicava o Sporting Clube Portugal a alguns anos atrás e que nenhuma aventesma televisiva ainda explicou), é mais do que isso, ele tem piada, põe o dedo na ferida e não a calca porque é fixe faze-lo, há quase que uma necessidade gritante de infligir dor aos que critica ou aos nossos ouvidos, ainda não sei bem!. A dor não acaba ai, ele não se limita a abordar um assunto de forma sintética, ele espeta lá o dedo e troce-o, além do mais a qualidade textual das letras varia entre o “mais conteúdo do que acho que teria quando primeiro ouvi” e “in-your-face”. Esta dualidade é prática, não aliana o ouvinte e não esgota os temas nas primeiras audições, mesmo as frase mais cortantes, acompanhadas com uns “catchy rifs” de East Bay Ray, e uma competente secção rítmica de Klaus Flouride e do pouco conhecido Ted (menos ainda será o 6025), ficam a trabalha no estômago não seguindo para o recto como a maioria de trampa musical servida às ovelhinhas todas que dão discos de ouro no mercado americano a Madonnas e afins pimba/ pop- rock (Ai, como odeio Labels, mas dá jeito!) que ela patrocina.
Passando agora ao coiso e tal que todos apreciam, os Highlights Musicais. Começamos pelo nome dos temas, temos o Kill The Poor, Let's Lynch the Landlord, I Kill Children, que não sei quanto a “vocesses”, mas a mim atrai-me títulos audazes, depois há o Chemical Warfare, California Über Alles e Holiday in Cambodia, que são também elucidativos do que falam (política americana interna e externa), e uma versão de fazer saltar o chapéu de qualquer milionário texano que passa demasiado tempo em Vegas e fica liso que nem um carapau, refiro-me ao belo Viva Las Vegas.
Então, notas giras, Kill the Poor, primeiro tema do álbum, foi interpretado, juntamente com o California, como um tema referência dos movimentos de extrema-direita californianos (pois, é que muita gente não compreende ironia e sarcasmo, e ambos os temas são perus recheados disso, criticando-se o abuso de poder e as politicas republicanas). Let's Lynch the Landlord e I Kill Children, são directos à questão, o primeiro fala de senhorios que exigem demasiado dinheiro para as condições que proporcionam ao inquilino e como tal mereciam levar um balázio no cu (é mais lincha-lo mas “nevermind”) e o segundo abre com uma linda frase “God Told Me to Skin You Alive”, sendo que é curiosamente considerado pelo seu autor, Jello Biafra, como o seu tema mais fraco, e conta da perspectiva de um assassino de crianças os seus actos (eu gosto é da primeira frase!). Deutschland Über Alles, é assim que começa o hino alemão, verso que aliás não é cantado, “jamais, ainda ficam a pensar que somos nazis com tendências expansionistas”. Com esta ideia Biafra pegou no verso pôs California e chamou a atenção para algumas práticas menos democráticas que a serem implementadas abririam, e abriram, portas para todo o tipo de abusos (“Quem é que falou do Socrátes!”). Holiday in Cambodia não vale a pena descrever, é muito bom, é mesmo para ouvir, só de referir que no refrão diz-se de forma enérgica POL POT.

É calão, não quer ler, então comece por aqui a leitura

Em termos gerais, e em jeito de final, o álbum é bom, consistente, enérgico, audaz para 1980 (talvez ainda hoje o será em alguns aspectos) não envelheceu mal (criticas politicas do inicio dos anos oitenta exigem ter alguns conhecimentos do local e do período), tem humor e talvez seja o melhor álbum dos Dead Kennedys, apesar das referidas falhas de produção do mesmo. Ou seja, sai da cabeça do BEAN com um 4/5.

Nos próximos episódios critica a Aerial de Kate Bush, Ummagumma dos Pink Floyd e uma pequena história sobre esta seguinte imagem.



Té lá VIVA AO BACALHAU